Coitado! O rei está nu! A decisão do Supremo Tribunal Federal pela fim da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista revelou o que já suspeitávamos: o Jornalismo está nu e com a mão no bolso. O diploma estava funcionando como tarja preta para esconder a nudez. Sem a tarja, podemos buscar novas vestimentas.
Mas o nível da argumentação de muitos estudantes ou profissionais revoltados com a decisão pode ser resumido em dois pontos: “estudar para quê?” e “os patrões vão preferir pessoas desqualificadas por um salário menor”. As manifestação no Twitter (veja aqui) refletem a tendência dos debates que acontecem offline.
Então, caros colegas, vocês estudam para SERVIR a quem? Logo, todo este período de exigência do diploma estava formando “peões” diplomados, expressão perfeitamente fundamentada por Ivana Bentes, professora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ.
Observo esta mudança como um desafio positivo para as Universidades, uma oportunidade de revisarem os projetos pedagógicos, de construírem laboratórios em diálogo com os cursos de Ciência da Computação, Biblioteconomia e Design. Centros de experimentação de novas narrativas jornalísticas integradas com bancos de dados para produção de informações consistentes e diferenciadas.
Um estímulo aos bons professores que hoje lamentam a falta de interesse de alunos que só estão em busca de diploma como atestado de burrice.
Há outros pontos relevantes no debate que precisam ser avaliados pelos profissionais, como os direitos trabalhistas.
Destaquei os aspectos que mais me incomodam.
Vamos tecer a roupa do rei?
Outros textos:
O retrato da nossa miséria, por Marcelo Soares
O fim do diploma e o começo de outro jornalismo, por Alec Duarte.
A roupa nova do rei, por Hans Christian Andersen.
Sarita eu só deixo escrito aqui o seguinte… isso não está acontecendo só no jornalismo isso é geral!
Hj as pessoas pensam em ganhar dinheiro(ñ q ñ seja importante) mais se esquecem do amor aquilo que fazem! Penso tb que falta atualização para os professores. Buscar coisas novas!
Olha só as leis do nosso país mais antigas que tudo!
Quem sabe isso seja um ponto de partida para que vcs profissionais que possam se juntar e lutar por essa mudança!
Saritinha,
O desafio de mudar e buscar mais qualidade tb me parece ser o novo foco para aqueles que, como eu, acreditam na necessidade de formação em jornalismo para exercício da profissão.
Lendo as argumentações dos Ministros do STF, percebo um completo desconhecimento do que é jornalismo. Entre os teóricos e estudiosos da área, não há consenso, mas um detalhe é pacífico: o jornalismo relata uma realidade, recorrendo a fontes autorizadas para sustentar seu discurso. A explicação é simplória, mas acredito que dá conta da essência da profissão, o que deixou de ser observada por nossos guardiões da Constituição.
Para a ampla liberdade de expressão, seria preciso a garantia de pluralidade de fontes e opiniões nas matérias jornalísticas. Isso é o preceito básico do jornalismo contemporâneo, que, em minha opinião, não fica assegurado com a abertura da profissão para que qualquer um meta sua colher, embora a profissão tenha sido compara a de cozinheiros.
bjs,
Romulo Gomes
Rômulo,
entendo sua preocupação, isto serve para melhorar. Mas os picaretas continuarão assim, com ou sem diploma.
beijos
Sarita,
Ótima argumentação. Ainda mais hoje em dia, em que as pessoas são mais importantes do que as instituições, tem gente que ainda se comporta como um peão de fábrica batendo cartão e praguejando contra o patronato.
Há, no jornalismo como em tantas outras áreas, inúmeras possibilidades de iniciativas individuais que independem de empregadores como os conhecíamos antes.
bjs
Alec, depois que eu escrevi fui buscar o que você teria escrito, porque sabia que se manifestaria sobre isso. E parece que houve “transmimento e pensassão”.
beijos
Durante todo o dia me perguntaram o que achava sobre essa situação. Respondia que ainda não tinha opinião formada e que precisava me inteirar mais sobre o assunto.
Quando termienei de ler seu texto, sarita, pude perceber que em momento algum fui contra a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, mas não conseguia aceitar minha própria posição. Parecia loucura da minha parte (para mim mesmo) concordar com o que você escreveu. Espero que Freud me entenda.
Continuo achando que devo ler mais sobre o assunto, mas agora, quando me perguntarem, já posso apresentar minha opinião até então reprovada por meu ‘racionalísmo furado’.
Pode até parecer (ou ser) loucura, mas pelo menos não estou sozinho nessa, e vou usar esse endereço eletrônico para provar.
abraço!
Sarita,
A não exigência de diploma de jornalismo para exercer a profissão de jornalista não sei se é boa ou ruim para o jornalismo. Não li o suficiente para tomar partido.
Porém, eu sou professor, e se o STF julgasse que não fosse necessário o diploma de licenciatura para exercer a profissão de professor, eu, com certeza, acharia um absurdo. O mesmo para médico, engenheiro, biblioteconomista… jornalista.
Gostei demais do teu texto, Saritinha, inclusive indiquei a leitura a algumas pessoas. Como estudante de Relações Públicas, pode parecer estranho ou mesmo desrespeitoso eu me posicionar contrária à obrigatoriedade.
Nesses poucos dias após à decisão, me impressionou bastante ver um monte de gente que nunca se movimentou muito ou mesmo quem costuma criticar as
chamadas mobilizações, falando em reivindicações, passeatas e lutas por direitos. Parece que é nessas horas que a gente vê onde é que o calo aperta.
Li bastante coisas por esses dias e confesso que estou um tanto dividida. Não sei se talvez eu esteja sendo solidária a toda preocupação manifestada por uma classe de trabalhadores. Por outro lado, ainda não consegui ver, de fato, que grandes mudanças a decisão trará ao mercado.
Daí que acredito que o ponto central de toda essa conversa seja mesmo o que foi por aqui abordado, que a decisão pela não obrigatoriedade deixou clara a necessidade que os cursos de Jornalismo
têm em rever seus currículos e priorizar uma educação superior que seja realmente de qualidade, como já não mais temos visto.
Olá Sarita, beleza?
Saca só!
Nunca fui a favor de habilitações (nunca mesmo! pra mim saíria formado em comunicação ponto), mas se é pra cair uma [habilitação] que caiam todas! Vamos ser justos!
Entretanto…
Será que a discusão é mesmo essa? Acredito que não! A discussão foi invertida – no meu ponto de vista -, primeiro deveríamos debater qualidade de formação – e por mais que se diga que diploma não vale nada, ele legítima uma qualificação (mais detalhes me add que a gnt conversa) -, e não diploma. Depois do desgate do debate sobre currículo teríamos a discussão sobre diploma.
Ao se mudar o foco da falta de um curriculo decente e jogar a discussão para a não obrigatoriedade do diploma, alegando reserva de mercado e tal, muda-se o foco central da coisa. Precisamos de uma reforma curricular em jornalismo urgente! Isto não significa que diploma deixe de valer ou que aceitemos isso! ( por mais que saíbamos que diploma não é garantia de porra nenhuma!)
Se brigamos tanto por qualidade de formação como vamos aceitar pessoas que acham que jornalismo é só escrever bem? ( Gilmar caralho [desculpa Sarita não me controlei!], jornalismo é nocivo sim! E muito quérido!]. Somos mais que isso! Parece prentensão mas não é! Nós criamos certas coisas e zonas na sociedade. Nós dizemos o que deve ser discutido. Nós formamos opinião.
Parece pouco? Será que é pouco? Como jornalista, quase formado, acredito que o diploma não vale apenas como reserva de mercado. Meu diploma diz respeito ao fato de eu querer que minha profissão seja regulamentada. Se formos pensar em não obrigatoriedade de diplomas não só nosssas habilitações caíriam, muitas outras profissões, deixariam de exigir diploma!
Enfim… quero, e luto, por qualidade de formação! Creio que diploma não é garantia disso! Mas exijo respeito. Por mim, por você Sarita, por muitos amigos e professores que se dedicam a exercer o jornalismo de forma correta e digna diariamanete. Não podemos aceitar determinados argumentos.
Pelo diploma ou não… mas sabendo que somos mais que meros contadores de casos.